A palavra óculos surgiu com o termo ocularium na Antiguidade Clássica e era utilizado para designar os orifícios das armaduras que permitiam que os soldados enxergassem. A história dos óculos data de 500 anos a.C. com algumas referências em textos do filósofo chinês Confúcio. No entanto, como suas lentes não tinham grau, durante séculos eles foram usados apenas como adorno ou como forma de discriminação social. Porém, o indício mais remoto de que se tem notícia sobre uma lente oftálmica é datado da era pagã, em 2283 a.C., a fim de observar as estrelas, um imperador chinês usou lentes fabricadas em cristal de rocha, quartzo ou ametista.
As lentes corretivas do século I d.C. eram de pedras semipreciosas como o berilo e o cristal de rocha cortada em camadas finas e foram as primeiras lentes de aumento para perto. Ainda nessa época, os fenícios, inspirados pelos chineses, iniciaram a arte de fabricação do vidro, descobrindo que a mistura da areia ao salitre, fundida pelo calor do sol, resultava em vidro bruto.
Durante as escavações de Pompéia, foram encontrados alguns vidros convexos, porém a distância focal dessas lentes era tão pequena que elas não poderiam ser usadas diante dos olhos. Com os estudos do matemático árabe Alhazen, que perto do ano 1000 d.C. formulou uma teoria sobre a incidência de luz em espelhos esféricos e como isso reagia no olho humano, essas lentes passaram a ser usadas sobre os olhos e se transformaram na primeira forma de lentes corretivas.
Até o século XIII, pela ausência de registros, supõe-se que a arte de fabricação do vidro tenha sido deixada de lado. Mas foi nesse século que fervilharam novos fatos. Dados históricos indicam que, por volta dessa época, o vidro foi conhecido por chineses e europeus. Nessa época, na China, os idosos usavam lentes para distinguir pequenas figuras.
O monge e filósofo inglês Roger Bacon foi pioneiro no desenho de lentes por volta de 1268. As lentes eram fabricadas de cristal ou vidro, sendo positivas biconvexas. O primeiro par de lentes, com aros grandes de ferro unidos por rebites, foi descoberto na Alemanha em 1270. Parecido com um compasso, permitia que fosse ajustado sobre o nariz, mas ainda não trazia hastes de suporte.
Ainda no mesmo século, um modelo semelhante foi criado em Florença por Salvino Del Armati e fez bastante sucesso. Por isso, os italianos ganharam fama como os inventores dos óculos. Porém, foram necessários mais dois ou três séculos de pesquisas para que se conseguisse um modelo seguro e confortável.
No século XV, os modelos Pince-nez e Lornhons eram os mais usados. O primeiro não tinha hastes e era ajustado apenas no nariz. Já os Lornhons vinham com uma haste lateral para ser colocado em frente aos olhos. As hastes fixas apoiadas sobre as orelhas só surgiram no século XVII, mas mesmo assim os modelos sem hastes continuaram a ser usados até o início do século XX, quando então foram sendo substituídos pelos modelos Numont com aros superiores ou inferiores finos e leves. Sua versão mais moderna é sucesso até hoje.
No século XVI, já começaram a ser vendidas lentes negativa para correção de miopia. Em 1551, máscaras eram utilizadas para tratamento do estrabismo: ao olhar através de uma pequena abertura, o olho defeituoso era forçado a voltar à posição normal. Também por volta dessa época, fabricavam-se vidros coloridos para proteção contra a claridade – data de 1561 a produção das primeiras lentes verdes, em Inglaterra.
O século XVII ficou marcado como uma era de progressos no campo óptico. Em 1608, Galileu popularizou o telescópio. lsaac Newton conduziu as suas famosas experiências, descobrindo que a luz branca é composta de raios de luz de diferentes cores. Em 1672, foram fabricadas as primeiras lentes azuis e, no decorrer desse século, já começaram a aparecer às primeiras lojas de óptica na Europa e, no século seguinte, nos EUA.
Em 1716, o matemático alemão, G. Hertel indicou o uso de lentes “menisco”. O mesmo fez o professor técnico A.G. Luteman três anos depois. Em 1767, tem-se notícias da fabricação das primeiras lentes de cor cinza. Em 1785 Benjamin Franklin inventou os primeiros óculos bifocais, com duas lentes a frente de cada um dos olhos e unidas pela armação, possibilitando enxergar de longe e de perto em um único acessório.
No século XIX, um grande avanço foi conseguido na fabricação de lentes corretoras dos erros de refração quando, em 1801, o cientista inglês Thomas Young descobriu o astigmatismo.
Em 1804, o inglês Wollaston defendeu o uso de lentes “menisco” com combinação especial de curvaturas, em vez de lentes biconvexas e plano-convexas, patenteando-as. Ele chamou-as de “periscópicas”, graças à curva côncava mais próxima dos olhos, proporcionando melhor visão e maior campo visual.
Em 1832, a Inglaterra também foi a responsável pela fabricação das primeiras lentes marrons. Nos anos 1840 e 1844, registrou-se pela primeira vez o uso de lentes tóricas, quando o óptico italiano Suscipi utilizou-as para correção do astigmatismo. A lente tinha uma superfície esférica no lado convexo e outra tórica no lado côncavo. Também em 1844, os primeiros prismas foram recomendados.
Em 1875, ocorreu um novo avanço da ciência. Nagel criou a escala de medidas refrativas (dioptrias), adotada internacionalmente. Já em 1866, ele recomendava os sistemas métricos, ligados a dioptria, para designação do poder das lentes, no lugar do sistema inglês de polegadas, em uso até então.
Em 1878, a norte-americana Bausch & Lomb padronizou a fabricação de lentes periscópicas. Dez anos depois, Prentice propôs o prisma oftálmico, universalmente aceito até hoje como dioptria prismática, unidade que expressa o poder refrativo do prisma. Em 1896, os EUA começaram a fabricar as lentes menisco e 2 anos depois, as lentes tóricas.
Em 1959 temos uma grande revolução nas lentes oftálmicas com a invenção da lente multifocal, por Bernard Maitenaz, que se caracteriza pela correção da visão de perto, intermediária e de longe. Em 1972 foi introduzido o método do ciclo dióptrico, uma ferramenta de pesquisa que torna possível calibrar as características das lentes para aumentar a satisfação do usuário. Esse processo ainda é utilizado atualmente.
Na última década, com os avanços tecnológicos da alta definição e o processo de surfaçagem digital, as lentes passaram a utilizar um processo que permite a produção de superfícies ópticas complexas em ambas as faces da lente. O resultado é um nível de nitidez e precisão visual que ultrapassam todas as outras lentes.
As lentes digitais significam visão mais acurada, precisão e conforto no ato de enxergar. As tradicionais aberrações e distorções, geradas por superfícies não digitais (menos precisas e suaves), além das aberrações esféricas (o foco não é preciso, por isso gera desconforto) e aberrações cromáticas (a dispersão de luz ao passar pelo material gera incômodo que pode atrapalhar a boa adaptação aos óculos) são em muitos casos eliminadas através dessa nova tecnologia (lentes digitais).
O uso do plástico e seus derivados na fabricação de armações e o avanço da tecnologia para a produção de lentes melhores, mais finas e com tratamentos em sua superfície que melhoraram consideravelmente a acuidade e o conforto visual, ampliaram muito as possibilidades do design de óculos em geral. Atualmente é possível encontrar uma enorme variedade de modelos em muitos materiais, tamanhos e cores. Um óptico com uma boa formação técnica ou um optometrista com sólida formação acadêmica garantirão uma visão bem acurada e de qualidade.